Revolução pedagógica
Há duas consultas defendemos que a grande mudança a ser feita na Universidade Federal do Amazonas não está nos prédios: está na prática das pessoas. Mais que isso, deve ser uma revolução didático-pedagógica. O problema crucial da Ufam é o mesmo das demais universidades brasileiras: centrar o foco no ensino e não na produção do saber. Tanto nos cursos de graduação quanto nos curso de pós-graduação o que se tem é uma preocupação com o formalismo do ensino, ou seja, com a reprodução do conhecimento.
E qual o locus onde ocorre a reprodução do conhecimento? A sala de aula. Talvez por pura incompetência não tenhamos conseguido demonstrar à comunidade universitária que o pior ambiente de ampredizem da sociedade moderna é a sala de aula. Exatamente porque a sala de aula é o locus da reprodução do conhecimento. A produção do saber ocorre no mundo, muito pouco apenas na sala de aula. Lá é o local típico da reprodução do conhecimento. A não ser que haja uma quebra de paradigmas e o espaço da sala de aula passe a funcionar como um ambiente de aprendizagem.
A escola estadual Djalma Batista, gerida por Orlando Moura e localizada em frente à Universidade Federal do Amazonas (Ufam) bem que poderia ser visitada constantemente por grande parte dos professores (e pelos raros educadores) como prova cabal de que é possível, quando se tem compromisso com o processo de ensino-aprendizagem, mudar e dar oportunidades de geração do conhecimento e não apenas de reprodução dos saberes. A escola possui índice 4,9 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e aprovou, em 2008, 15 projetos na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Qual o segredo para tantos números positivos?
Certamente, o fato de a direçào da escola estar aberta às novas experiências capazes de gerar conhecimentos é fundamental para esse desempenho, além do fato de ser uma escola de tempo integral. Ao ser apresentado ao projeto de extensão “Blob na escola: uma ferramenta para gestão de ecossistemas comunicacionais e educacionais”, desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Ciências da Comunicação, Informação, Design e Artes (Interfaces) naquela escola, o diretor reagiu assim: “é uma excelente oportunidade para mudar a concepção da aula tradicional e dar continuidade às práticas da escola de quebrar paradigmas”.
No livro “A aventura da universidade” (Editora da Unesp, 1994), Cristóvam Buarque é enfático: “Se o papel de cada universitário é aventurar-se na criação de novos conhecimentos, seu compromisso diário deve ser com a aventura de criar uma nova universidade. (...). Em uma instituição de idéias, o ponto de partida para sua reformulação está em ter uma ou diversas idéias alternativas quanto ao projeto, a forma, a estrutura, aos métodos de universidades. O segundo passo é ter um ambiente aberto para debater tais idéias.
Uma universidade que não se aventura, que não muda, que permanece com as mesmas práticas pedagógicas não tem como se orgulhar do seu passado, perde o bonde da história do presente e corre o risco de fenecer no futuro. Sem o compromisso diário de se criar uma nova universidade, teremos a mesma prática pedagógica de Santo Agostinho e Comenius. Pior que isso, nem o modelo de Santo Agostinho se faz com efetividade. Que a Escola Djalma Batista nos inspire.
Há duas consultas defendemos que a grande mudança a ser feita na Universidade Federal do Amazonas não está nos prédios: está na prática das pessoas. Mais que isso, deve ser uma revolução didático-pedagógica. O problema crucial da Ufam é o mesmo das demais universidades brasileiras: centrar o foco no ensino e não na produção do saber. Tanto nos cursos de graduação quanto nos curso de pós-graduação o que se tem é uma preocupação com o formalismo do ensino, ou seja, com a reprodução do conhecimento.
