seculo XXI - Já não é hora de novas abordagens
Quando me deparo com tal tipo de questionamento, infelizmente não me surpreendo, mas confesso que surge uma espécie de desconfiança em relação ao dito progresso da humanidade. De fato, e quando falo de fato me refiro aos atos da população do mundo em geral, certamente não acompanha, por exemplo, os avanços científico/tecnológicos. No que tange às questões sociais e filosóficas, o pensamento/questionamento da população em geral parece ter sofrido uma espécie de travamento semelhante ao acontecido no período da Idade Média. Como acreditam algumas correntes holísticas, em que tudo é um ciclo, se assim o fosse, eu diria que após o "obscurecimento" da Idade Média se seguiu o período do Renascimento, do Iluminismo, a Idade Moderna, de onde partiram as grandes idéias filósoficas acompanhando as modernas inovações científicas e, infelizmente, retornamos no período do novo obscurecimento na Idade Contemporânea.
Como posso ainda ler, em pleno século XXI, temas temas e discussões sobre racismo, minoria, carregadas de preconceitos em atos e palavras. Para mim, já passou há muito o tempo dessas discussões, elas nem deveriam caber nos dias de hoje. O mundo "evoluiu", ou não??? Acho que não (e Nietszche ainda criticava a época dele; sorte não viver no século atual). Não tem mais sentido temas desse tipo simplesmente porque enquanto estivermos discutindo tais questões, continuaremos perpetuando essas mesmas questões. Está na hora de darmos um salto, está na hora de não nos colocarmos em posições de "minorias", porque não existem minorias, porque não devemos pensar que existem minorias, porque no fim das contas, no que tange à genética simples e pura somos todos seres humanos e esta é a única classificação que nos coloca acima e apenas de outros seres vivos por nós conhecidos, por termos entendimento e consciência deste entendimento, algo que os animais não têm. No resto, somos semelhantes; não poderia dizer iguais pois diferimos em nossas características particulares, cor dos olhos, altura, peso, grau de inteligência etc e entre elas também a cor da pele. Vivemos num mundo em que nós não escolhemos o modelo político vigente, o mundo globalizado. Ele é glamouroso por isso? Foi por muito tempo sua grande propaganda. Então, vamos globalizar a raça humana; ela é única, as características individuais serão únicas, pessoais, em todos os aspectos, influenciados pela genética e pelo ambiente social que a pessoa vive. Mas, enquanto nós mantivermos essa separação e esses rótulos, mantemos a discriminação, mesmo quando a fazemos julgando assim trazer benefícios para a classe mais "oprimida". Não é através de cotas racias, movimentos de consciência negra que conseguiremos mudar e tirar o velho e ridídulo preconceito que ainda resiste na cabeça de certas pessoas. E sim através da mudança de comportamento, de pensamento de toda uma sociedade, onde todo mundo enxergar finalmente que não existe mais espaço para divisões, simplesmente porque não existem motivos para tais; a genética é nossa aliada, de um lado, e o pensamento/consciência de outro. Estamos numa nova era e deveríamos agir como tal, não mantendo os mesmos chavões, os mesmos discursos, os mesmos movimentos, pois eles infelizmente acabam por perpetuar uma diferença e se tornar aliado de um preconceito que há muito já deveria ter deixado de existir.
Estamos em pleno século XXI e devemos agir como tal, mudando o comportamento e a consciência, ao invés de perpetuar movimentos que só consolidam preconceitos que existem há séculos.

Comentários
#1 Que novas abordagens são possíveis? Equivocos.
Considero bem intencionada sua posição. Compartilho a indignação com a existência inegável do racismo e de outras formas de intolerância e preconceito. Entretanto, não posso me furtar de apontar minha discordância em relação a alguns pontos de sua argumentação.
Em primeiro lugar, não realizar o debate não fará com que a questão deixe de existir. Assim, enquanto o racismo for real, cotidianamente explodindo em nossa cara, não podemos - e não devemos - nos furtar ao debate sobre suas causas, seus mecanismos de propagação e seu efeito nefasto para o tecido social.
Assim, discordo da idéia de silenciarmos o debate. Não "passou o tempo" dessas discussões porque essas discussões são problemas centrais, nodais do nosso tempo. As identidades e as diversidades são a grande questão a ser compreendida pela humanidade. Deixar de falar disso é aniquilar qualquer possibilidade de avanço.
Em segundo lugar, considero importante qualificar o que dizemos quando falamos o termo "raça". Há uma interpretação, herdeira do século XIX, que qualificou "raça" como atributo biológico, a partir de uma separação construida pela ciência (sim, essa mesmo que você aponta como grande redentora). Pois bem, essa mesma ciência (genética) construiu um complexo sistema de hierarquização humana que colocou no topo da evolução um determinado grupo (ariano) e escalonou os demais a seu serviço. É hipocrisia dizer agora que "a ciência já provou que raças não existem", esquecendo-se de que a mesma ciência as construiu.
Por outro lado, há um conceito/idéia de "raça" construida por correntes da antropologia e da sociologia que consideram que, embora sejamos, biologicamente semelhantes, as sociedades são organizadas e representadas por grupos (por exemplo: homens e mulheres, adultos e crianças, etc.). Uma outra forma que A SOCIEDADE construiu para diferenciar e representar grupos humanos foi a idéia de raça (não necessariamente biológica). A raça, compreendida nessa dimensão "social" não deixa de existir. E essa idéia de "raça" social que estrutura o racismo no Brasil. Por isso mesmo, esses estudiosos da antropologia e da sociologia apontam para a impossibilidade de falar do racismo se deixarmos de entender o que é essa "raça" social. Se você pontua que devamos deixar de falar em "raça", creio eu que comete um grave equívoco, pois, seria, no mínimo, ilógico, dizer - e reconhecer - a existência de racismo num contexto em que raça não exista.
Por último - mas não menos importante - você pontua que a saída seria a mudança de comportamento, atitude e a tomada de consciência. Para que essas coisas aconteçam, é indispensável que as pessoas conheçam que instrumentos e mecanismos históricos construiram o racismo. E, por isso, é indispensável discutir sim, o que foi (e o que continua sendo) uma "minoria" ou um "grupo socialmente vulnerável". Também é indispensável apontar uma série de heranças negativas que esses grupos são obrigados a administrar (anos de escravidão, anos de negação do direito à educação, à propriedade, à participação política, etc) e as políticas de ação afirmativa (como as cotas) são mecanismos para que esses grupos possam lidar melhor com essa herança e não "favores".
#2 Nova maneira de olhar e entender os conceitos de raça e minoria.
Também compartilho seu ponto de vista em alguns aspectos, porém não concordo com algumas posições que foram colocadas como "minhas" e absolutamente não fazem parte do meu pensamento.
Jamais consideraria a ciência como "redentora" em qualquer situação pois, apesar de agraciá-la com sua inegável importância, com avanços tecnológicos e científicos que melhoram a qualidade de vida de muitas pessoas, o meu ceticismo me impede de situá-la como um "novo Deus" do mundo contemporâneo. Não seguiria uma linha cuja semelhança com qualquer tipo de religiosidade a fizesse diminuir em sua importância e necessidade. Além disso, a ciência atual, no caso a zoologia, considera raça um sinônimo das subespécies, caracterizada pela comprovada existência de linhagens diferentes dentro das espécies, fato este que não ocorre na espécie "Homo sapiens" - a espécie humana - cuja variabilidade genética representa 3 a 5%, o que caracteriza, definitivamente, a ausência de diferenciação genética. Portanto, não existem raças humanas do ponto de vista biopolítico matematicamente convencionado.
Concordo com o conceito antropológico de raça, que é uma categoria de pensamento para se definir grupos sociais, estruturar sua organização social e sua relação com outros grupos sociais. Concordo com a importância de se saber historicamente o uso e a origem de vários conceitos, pois todos os conceitos são dados/inventados por nós, humanos. E o de "raça humana" foi usado pelos regimes coloniais e pelo apartheid para manter uma situação de submissão dos colonizados. Atualmente, só nos EUA se usa a classificação de sua população em raças (por que será???).
Portanto, definir raças humanas é uma classificação de ordem social graças a uma cultura racista, que impera há seculos. O que proponho não é a ausência de debate, pois ele é a maneira de nos manifestarmos, expormos nossa opinião e também apreendermos com as dos outros. O que proponho é uma modificação no uso dos termos minoria, raça etc, que nos mantém atados a um ciclo vicioso que se retroalimenta indefinidamente e acaba que não saímos do mesmo lugar. Como já disse, tais conceitos já nem deveriam existir. Deveríamos dar um salto nesse aspecto, nos livrarmos das amarras do passado, não ignorando a existência de tais problemas, mas questionando e redimensionando todos os sentidos daqueles conceitos. Os próprios "grupos marginalizados" intitulados minoria nem sempre são minoria matematicamente colocando-os; e os que são, não deixam por isso de serem seres humanos.
A única diferenciação real que existe é a de seres humanos e outros seres vivos, assim mesmo pela consciência que lhes pertence e que lhes é sabida. As outras características, não passam de características, como cor da pele, cor dos olhos, preferência sexual, graus de inteligência etc. Já pensou se fôssemos classificar cada uma das características humanas?
Seria uma tal mudança de pensamento e comportamento, partindo também dos grupos que são "minoria", e de todos os outros que não se enquadram em nada.
Estamos em pleno século XXI e ainda discutindo as mesmas questões de séculos atrás, agindo na mesma diretriz, na mesma linhagem, acabando por perpetuar indefinidamente tais questões, ainda longe de serem resolvidas. Que tal partimos para outro caminho. Que tal um "salto" na cadeia evolutiva do pensamento humano?
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