JORNALISMO FREE
O futuro do jornalismo é justamente esse que o jornal de debates vem fazendo ao longo de sua existência, livre para diversas expressões. O que me parece inegável para o jornalismo em toda sua história, é que profissionais talentosos, na maioria das vezes, são aqueles que não tem um “papel” pendurado na parede de suas casas comprovando, sou jornalista pela universidade tal. Seria no mínimo uma falta de respeito com escritores que foram jornalistas, e nunca tiveram o diploma; no caso de três que agora me recordo ao escrever este artigo, ClariceLispector, Graciliano Ramos, o grande Machado de Assis autores talentosíssimos que trabalharam em jornal com muita competência e talento, em uma época que jornal não era a mera informação, se confundia com literatura.
A formação acadêmica não prepara ninguém para os imprevistos e maldades que o jornalista se depara quando sai a campo. O que estou fazendo aqui no nosso querido jornal de debates, não deixa de ser jornalismo pelo fato de acrescentar novos pensamentos para o tema proposto, ou em pauta neste jornal. A comunicação no Brasil e no mundo já esta a níveis muito fechados da sociedade, como escolas, bairros, pequenas cidades de interior por exemplo. O numero de rádios comunitárias que foram abertas nos últimos oito anos neste país, é algo extraordinário. Como é vamos exigir um certificado para esse numero enorme de pessoas? De um jeito ou de outro fazem comunicação, em seus meios sociais, muitas com nível escolar de segundo grau ou até menor, produzindo informação, gerando noticia.
O conceito deste debate, é muito focado para grande mídia, e esquecido da pequena mídia. Querendo ou não ela veio pra ficar. Não pode-se criar uma lei que obriga ao individuo à ter diploma, sendo que a produção de noticias não é feita somente pelo profissional jornalista, mais por toda uma cadeia da sociedade que reinventa os padrões de comunicação, descaracterizando todo sistema linear montado para controlar o nível de informação, circulado em torno da sociedade, a internet é um dos exemplos disso, com seus milhares de blogs espalhados pela rede. Aqueles que pensam em ser escritores que se cuidem, daqui a pouco vão inventar uma lei que para ser escritor é necessário ser membro da ABL (Academia Brasileira de Letras) ou pelo menos formado na faculdade de Letras. A informação, a noticia, podem sim ser levadas por pessoas sem formação acadêmica, e com qualidade. Claro que os bacharéis tem seu prestigio por que estudaram “cientificamente” pode se dizer assim; a estrutura da comunicação e jornalismo. Jornalista é muito mais que períodos de teoria, não que ela seja dispensável para a formação, mais para aqueles que aprendem na prática conseguem o mesmo patamar de experiência, ou até acima dos que são formados, por possuírem talento, a forma mais natural da inteligência humana.
Lucas Artur
O futuro do jornalismo é justamente esse que o jornal de debates vem fazendo ao longo de sua existência, livre para diversas expressões...

Comentários
#1 Sobre a necessidade do diploma
Caríssimo Lucas,
Eu sou estudante de jornalismo por uma universidade que não há necessidade de aqui mencionar e me sinto no dever de responder ao seu artigo.
Sim, também partilho da idéia de que, cada vez mais, deve-se abrir espaço para iniciativas tão ricas como a do "Jornal de Debates". Todos nós somos portadores de experiências próprias e conhecimentos peculiares, a distribuição de toda essa informação só trás benefícios às discussões do dia-a-dia e à evolução da sociedade.
Porém, penso ser inegável a necessidade do diploma universitário para jornalista e me embasarei, dentre os inúmeros argumentos, em três que acredito serem mais palpáveis e de difícil contra-argumentação: O respeito aos leitores, a evolução do circuito da informação e a reverência aos nossos mártires.
O leitor é, conforme você mesmo é um bom exemplo, que suponho não ser jornalista formado, dotado de pensamento, de capacidade de atuação e de crítica ao material produzido pela mídia. Pois bem, mas um motivo para que, quem dedica a vida a traduzir e transportar informações se prepare ao máximo para exercer tal profissão. A universidade nos dá um aparato teórico, histórico e prático que permite a cada jornalista formular seu estilo de notícia. Pensar, criticamente, e construir parte da pauta de discussão da sociedade.
Outro ponto é que o jornalismo de hoje não é, literalmente, o jornalismo de ontem. É incontestável a impressionante velocidade com que o modo de tratar e transmitir a informação tem se modificado atualmente. O tempo dedicado na universidade serve também para debater e apurar a forma como o profissional se posiciona perante isso. Não digo pelo manejo das novas tecnologias de uma forma pragmática, pois isso, penso, só o mercado e a rotina podem proporcionar ao jornalista. Mas falo de uma forma mais "filosófica", menos presa à prática e mais da capacidade de adaptação do profissional às diferentes realidades que for confrontar no mercado de trabalho. Só a universidade, num curso bom obviamente, é capaz de conduzir o graduando por esse percurso de análise e preparação para essas modificações tão rápidas e profundas sem deixar perder a essência do fazer jornalístico.
Quero ressaltar que acho muito válido seus exemplos, grandes mártires do jornalismo nacional como Machado de Assis fizeram história ao se lançarem na arte da leitura do presente sem nenhuma preparação acadêmica, tiro meu chapéu para todos eles. Justamente por isso, por essa necessidade de reverenciar e mais, aprender com esse passado tão rico, que a universidade é imprescindível. Um jornalista sem formação não terá, necessariamente, contato com todas essas experiências acumuladas da nossa história. Coisa que uma matéria básica de qualquer curso de jornalismo como "História de Jornalismo Brasileiro" fará com muita propriedade.
Existem, Lucas, ainda muitos outros argumentos para a obrigatoriedade do diploma jornalístico: A necessidade de organização da classe para evitar explorações trabalhistas tão corriqueiras na nossa área, maior reconhecimento internacional dos profissionais, ampliação da capacidade de "feedback" da audiência, mas não extenderei mais esse pequeno artigo pois acho que meu posicionamento já ficou claro.
Enfim, eu sou apenas um estudante, ainda estou no terceiro período e, de antemão, me desculpo pelos erros de escrita e de argumentação. Claro que tem muito da minha vontade de garantir meu mercado de trabalho e proteger minha classe nesse discurso. Não desconsidero a força da atuação dos "colaboradores" sem diploma com seus pensamentos, gravações factuais com celular e depoimentos com a propriedade do "ser ocular", mas acho e tentei provar de forma sólida, que o diploma é o que garantirá um norte para o aprimoramento da qualidade jornalística no Brasil.
Grato
Ennio H. R. Silva
enniohrsilva@yahoo.com.br
#2 Sobre como o diploma é indispensável
Caríssimo Lucas,
Eu sou estudante de jornalismo por uma universidade que não há necessidade de aqui mencionar e me sinto no dever de responder ao seu artigo.
Sim, eu também partilho de sua idéia de que, cada vez mais, deve-se abrir espaço para iniciativas tão ricas como a do "Jornal de Debates". Todos nós somos portadores de experiências próprias e conhecimentos peculiares, a distribuição de toda essa informação só trás benefícios às discussões do dia-a-dia e para a evolução da sociedade.
Porém, é inegável a necessidade do diploma universitário para jornalista e me embasarei, dentre os inúmeros argumentos, em três que acredito serem mais palpáveis e de difícil contra-argumentação: O respeito aos leitores, a evolução do circuito da informação e a reverência aos nossos mártires.
O leitor é, conforme você mesmo é um bom exemplo, que suponho não ser jornalista formado, dotado de pensamento e de capacidade de atuação e de crítica ao material produzido pela mídia. Pois bem, mas um motivo para que, quem dedica a vida a traduzir e transportar informações se prepare ao máximo para exercer tal profissão. A universidade nos dá um aparato teórico, histórico e prático que permite a cada jornalista formular seu estilo de notícia. Pensar, criticamente, e construir parte da pauta de discussão da sociedade.
Outro ponto é que o jornalismo de hoje não é, literalmente, o jornalismo de ontem. É incontestável a impressionante velocidade com que o modo de tratar e transmitir a informação tem se modificado atualmente. O tempo dedicado na universidade serve também para debater e apurar a forma com que o profissional se posiciona perante isso. Não digo pelo manejo das novas tecnologias de uma forma pragmática, pois isso, penso, só o mercado e a rotina podem proporcionar ao jornalista. Mas falo de uma forma mais "filosófica", menos presa à prática e mais da capacidade de adaptação do profissional às diferentes realidades que for confrontar no mercado de trabalho. Só a universidade, num curso bom obviamente, é capaz de conduzir o graduando por esse percurso de análise e preparação para essas modificações tão rápidas e profundas sem deixar perder a essência do fazer jornalístico.
Quero ressaltar que acho muito válido seus exemplos, grandes mártires do jornalismo nacional como Machado de Assis fizeram história ao se lançarem na arte da leitura do presente sem nenhuma preparação acadêmica, tiro meu chapéu para todos eles. Justamente por isso, por essa necessidade de referenciar e mais, aprender com esse passado tão rico, que a universidade é imprescindível. Um jornalista sem formação não terá, necessariamente, contato com todas essas experiências acumuladas da nossa história. Coisa que uma matéria básica de qualquer curso de jornalismo como "História de Jornalismo" fará com muita propriedade.
Existem, Lucas, ainda muitos outros argumentos para a obrigatoriedade do diploma: A necessidade de organização da classe para evitar explorações trabalhistas tão corriqueiras na nossa área, maior reconhecimento internacional dos profissionais, ampliação da capacidade de feedback da audiência. Enfim, eu sou apenas um estudante e estou no terceiro período e, de antemão, me desculpo pelos erros de escrita e de argumentação. Claro que tem muito da minha vontade de garantir meu mercado de trabalho e proteger minha classe. Não desconsidero a força da atuação dos "colaboradores" sem diploma com seus pensamentos, gravações factuais com celular e depoimentos com a propriedade do "ser ocular", mas acho que o diploma é o que garantirá um norte para a apuração da qualidade jornalística no Brasil.
Grato
Ennio H. R. Silva
enniohrsilva@yahoo.com.br
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