Quais os limites do humor?
A revista New Yorker causou polêmica na última segunda-feira ao trazer em sua capa uma ilustração, que seu editor chamou de "satírica", do senador e virtual candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, vestido como um muçulmano ao lado de um retrato do líder terrorista Osama Bin Laden.
A imagem, que mostra ainda a esposa de Obama, Michelle, trajada como uma terrorista enquanto uma bandeira norte-americana queima na lareira do salão oval da Casa Branca, foi chamada de "ofensiva e sem gosto" pelo comitê de campanha do senador.
O editor da New Yorker, David Remnick, defendeu-se dizendo que a imagem, do artista Barry Blitt, tem por objetivo criticar os boatos que circulam pela internet acusando Obama de ser secretamente um islamita, e sua esposa de ser uma militante negra radical. O senador é filho de uma norte-americana agnóstica e de um queniano islâmico que renunciou à sua fé para se tornar ateu, mas tanto Barack quanto Michelle são protestantes de longa data.
"Há essas mentiras que estão espalhando sobre Obama, de que ele é muçulmano e é amigo de terroristas", disse Remnick, "e são tão sem sentido que pensamos que seria óbvio para todos. Se as pessoas acham que acreditamos em alguma dessas coisas, queremos assegurá-las de que não acreditamos, e é por isso que fizemos essa capa". Remnick se refere a uma pesquisa divulgada há poucos meses pelo instituto Pew Research Center em que 10% dos americanos acreditam que Obama seja muçulmano.
A piada, no entanto, não foi amplamente apreciada, como podiam esperar os editores da revista. "Talvez a New Yorker tenha julgado", afirmou o porta-voz da campanha de Obama, Bill Burton, "que a capa deles seja uma sátira ao retrato ridículo que alguns críticos de direita tentaram criar para o senador Obama, mas a maior parte dos leitores irá julgar a capa de mau gosto e ofensiva. E nós concordamos".
Jake Tapper, editorialista político da rede ABC, considerou a caricatura "incendiária". o porta-voz da campanha do republicano John McCain, Tucker Bounds, criticou a revista e disse estar "completamente de acordo com a equipe de campanha de Obama" sobre o mau gosto da charge. "Sátira faz parte do que fazemos, e a intenção é dar luz a estes temas, colocar um espelho em frente ao preconceito, ao odioso, ao absurdo. E este é o espírito da capa", justificou Remnick.
O Jornal de Debates quer saber: Quais os limites do humor?
Este Debate foi atualizado. Leia o texto anterior clicando aqui.
