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Juiz espanhol vê turismo sexual em anúncio da Armani

Enviado por ricardo.paoletti (não verificado(a)) em 12. Março 2007 - 21:00
Resposta ao debate: 
Como enfrentar o turismo sexual?

Olhe bem a ilustração acima, é um anúncio de roupa para crianças. Roupa de grife, mas um anúncio simples, foto em branco e preto, nada de frase chamativa, só as meninas e a marca.Meninas de olhar exótico, sim, em ambiente ensolarado, aberto - repousante e convidativo, talvez?Um juiz espanhol viu malícia na publicidade e pediu ao fabricante para cancelar a campanha: O juiz da vara infantil da Comunidade de Madri, Arturo Canalda, afirmou na sexta-feira passada que considerava o anúncio "no limite" da legalidade e pediu que a campanha fosse cancelada porque parecia "incitar o turismo sexual".  -- e fecha aspas da matéria no IG, aqui.Chamou a atenção do juiz o batom no lábio de meninas de sete, oito anos. No meu tempo, não podia. Mas não é só isso.Fiquei observando o anúncio, a foto, tentando entender o que nele poderia incomodar a moral alheia. Lembrei que, em publicidade, o objetivo da peça mais persuasiva não é tanto mostrar a mercadoria à venda mas fazer o leitor, o comprador, identificar-se com o produto, ver-se nele, criar empatia com a situação apresentada e querer comprar a roupa, a loção, a cerveja, para desfrutar da boa impressão causada pela imagem.Esse é o problema do visual armanístico: crianças de oito anos não compram sua própria roupa. Os pais a compram. Buscando empatia, a publicidade poderia apresentar pais felizes com o bom gosto do guarda-roupa infantil de seus pequenos. Não o fez.O publicitário cometeu o ato falho de selecionar a foto com a cintura atraente, o olhar sensual, convidativo. Pele à mostra, apelativo. Duvido que estivesse interessado em promover turismo sexual, por mais exótica que fosse a expressão ou a locação das pequenas modelos. Mas o juiz viu um assemelhação com outras fotos e publicidades e  sites que, sim, vendem pacotes de turismo sexual - e se a intenção de um e outro é diversa, a apresentação visual é semelhante demais. Severo, o juiz espanhol talvez consiga  moderar o visual da campanha do modista -- mas dificilmente  conseguirá reverter a perda da inocência desta era de turismo fácil, comunicação facílima e libido à solta.

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