As consequências da padronização da Língua Portuguesa
Realmente eu não saberia dizer se a padronização fere a identidade da Nação, mesmo depois de estar eu passando por tais modificações pela terceira vez. No entanto é certo que as alterações ortográficas que vêm ocorrendo, impingem ao nosso idioma uma séria descaracterização.
- Quanto mais passa o tempo, menos sabemos escrever com correção! Ao invés de melhorar o ensino, a Lingüística e a Etnia consideram mais fácil fazer adaptações, modificando a ortografia! Quando não há, como no Brasil, um ensino fundamental adequado, seria então pela insciência das pessoas que se deve modificar a ortografia de um idioma? Atitude inaceitável pelo absurdo, pela falta de bom senso!
Nesse andamento chegará o dia em que, além da ortografia, realizar-se-á alterações em todo o idioma, modificando-lhe a fonética, a morfologia e a sintaxe. E mais, se for mantido o atual ritmo de modificação ortográfica, é possível que a longo prazo ocorra o total aniquilamento de toda a sua estrutura. E se a nossa ignorância for o motivo para que haja novas alterações, como parece ser, a base para tal estará garantida porque a falta da mais elementar instrução escolar persistirá e aumentará, uma vez que os erros de linguagem grassam de modo crescente e incontrolável no País. O pior é que são erros cometidos por quem jamais poderia cometê-los, como a mídia em geral, os muitos jornalistas, professores, advogados, senadores, deputados e altos mandatários do governo, indivíduos que têm a palavra como sua ferramenta de trabalho. Aí a identidade brasileira não só seria ferida, mas totalmente destroçada com a aniquilação de seu idioma. Seria então melhor que devolvêssemos o Português a Portugal, desprezando de vez o Latim como nossa “língua mater” e adotássemos a língua nativa, o Tupi-Guarani sistematizado pelos padres jesuítas ou o Nheengatu, com toda a sua significativa terminologia, consagrando-a como Símbolo Nacional, e tornando-a, portanto, intocável.
Deste modo, penso que a adaptação só pode ser de interesses políticos entre os países interessados, mas para o Brasil tal conglomeração idiomática de nada valerá, porque continuaremos bem pouco alfabetizados, não sabendo como escrever corretamente e periodicamente confundidos com novas regras gramaticais e, como sempre, cheias de exceções.
- Por ser um dos maiores cultores do Português, cabe aqui a evocação de Bilac através apenas de uma de suas estrofes:
- “ Última flor do Lácio, inculta e bela,
és, a um tempo, esplendor e sepultura:
ouro nativo, que na ganga impura
a bruta mina de cascalhos vela.”
- Quando Olavo Bilac escreveu o seu belo soneto “Última Flor do Lácio”, jamais poderia imaginar que em nosso País, a mais nova filha do Latim é hoje ainda mais inculta do que bela, mais sepultura do que esplendor, mais ganga impura do que o ouro nativo velado entre os cascalhos, pedregulhos estes que impedem o Brasil de avançar em seu natural culturalismo. Assim sendo, como é assinalado na sequência daquele soneto, o nosso idioma continuará gramaticalmente de viço agreste, desconhecido e obscuro, rude e doloroso !!!
DORIVAL JOSÉ ALVES – (31/12/08)
Mesmo passando por uma alteração ortográfica pela terceira vez, não sei se a língua portuguesa perderá a sua identidade. No entanto, aposto que o nosso idioma continuará gramaticalmente de viço agreste, desconhecido e obscuro, rude e doloroso.

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