A padronização da Língua Portuguesa fere a identidade brasileira?
A partir de 2009, entrará em vigor o “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, que padroniza a escrita do português nos países lusófonos como Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. O objetivo é promover o intercâmbio cultural e literário sem barreiras linguísticas entre os países que tem o português como língua oficial. O prazo para se adequar à nova norma é de três anos. Após a mudança, os brasileiros terão que escrever enjoo, voo, deem e leem ao invés de enjôo, vôo, dêem e lêem. O trema desaparecerá e não haverá mais o acento diferencial entre pára (verbo) e para (preposição). As letras k, y e w farão parte do novo alfabeto da língua portuguesa. Em Portugal, deverão desaparecer o "c" e o "p" nas palavras em que não são pronunciados, como em “acção”, “adopção” e “baptismo”. Em entrevista a revista Veja, o professor Pasquale Cipro Neto afirmou que "esta é uma reforma meia-sola, que não unifica a escrita de fato". O escritor João Ubaldo Ribeiro afirma que "é uma reforma tímida, que não faz grandes inovações". Os que defendem que as variantes escritas da língua portuguesa são perfeitamente entendidas por qualquer lusófono acreditam que não é por falta do Acordo que não há um intercâmbio literário maior dentro deste grupo. Além disso, eles argumentam que as dificuldades de compreensão são mais relevantes na língua oral, sobre as quais o Acordo não pretende ter influência. No Dia da Língua Portuguesa, o Jornal de Debates quer saber: a padronização da Língua Portuguesa fere a identidade cultural brasileira?
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