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A Guerra do Petróleo

Enviado por cristina.castro (não verificado(a)) em 15. janeiro 2007 - 21:00
Resposta ao debate: 
Os EUA exportam democracia?

O Tamos com Raiva foi criado no dia 20 de março de 2003, quando as primeiras bombas da invasão norte-americana no Iraque começaram a pipocar. Nossa raiva, naquele momento, era dessa guerra que -- já prevíamos -- mataria muito mais civis iraquianos que soldados dos Estados Unidos e aliados. E a indignação ficava maior quando nos deparávamos com o motivo da guerra: a multinacionalização dos riquíssimos poços de petróleo do Iraque, segundo maior produtor no mundo, perdendo apenas da Arábia Saudita. Bem, pelo menos era nisso que apostávamos, enquanto George W. Bush e seus comparsas insistiam em dizer que estavam defendendo os iraquianos de um ditador cruel e protegendo os americanos de terroristas sanguinários.

Agora sabemos que a teoria do petróleo está confirmada. Depois de uma guerra desigual, que arrasou vários civis, e depois do enforcamento recente de Saddam Hussein, o governo iraquiano -- formado por uma delegação de estrangeiros e militares chefiada pelos EUA -- prepara uma lei que vai trazer lucros imbatíveis às companhias de petróleo ocidentais -- Shell, Exxon e British Petroleum, principalmente. Essas empresas vão poder assinar contratos de 30 anos para explorar petróleo iraquiano, embolsando lucros de 75% (!!), no começo, que, mais tarde, passariam para 20% (valor ainda muito superior que a média). Depois que Saddam Hussein nacionalizou os poços iraquianos, em 1972, esta será a primeira vez que as multinacionais americanas e inglesas poderão explorar e lucrar naquele paraíso energético.

Para chegar a isso, precisaram manchar as mãos com muito sangue árabe. Segundo o Iraq Body Count, organização que vem contando, desde janeiro de 2003, o número de civis iraquianos mortos (dados que eles retiram de várias fontes confiáveis, uma vez que o governo norte-americano não tem interesse em divulgar dados oficiais), o número de corpos pode ter ultrapassado os 59 mil (número subestimado pela própria organização). Além disso, mais de 6 mil militares iraquianos devem ter morrido na "guerra". Enquanto isso, a GlobalSecurity estima que mais de 3 mil soldados norte-americanos morreram e 22.400 ficaram feridos. A discrepância pode ser ainda maior: estudos paralelos acreditam que cerca de 650 mil civis iraquianos tenham morrido nesses últimos quatro anos. Releiam o negrito.

Tudo pelos 30 anos de exploração, com 75% do lucro nas mãos dos invasores. "Valeu a pena", dirá George Bush.

O Tamos com Raiva também não se esquece das aulas de História. Elas mostraram que o país mais rico do mundo já matou mais de 1 milhão de vietnamitas e 58.193 soldados americanos na guerra de 1964 a 1975. Também matou cerca de 200 mil iraquianos em 1991, na Guerra do Golfo. Matou 1,2 milhão de afegãos e 15 mil soviéticos na Guerra do Afeganistão (não na última, mas naquela que assolou o país entre 1978 e 1992). E não esquecemos das vinte e três invasões que os Estados Unidos fizeram, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em países da Ásia (China, Coréia, Indonésia, Laos, Vietnã, Camboja, Iraque, Afeganistão...), África (Sudão, Congo...), Europa (Iugoslávia) e América (Guatemala, Nicarágua, El Salvador, Panamá, Peru, Cuba...). Foram bilhões de dólares gastos na indústria da guerra, contabilizando milhões de civis e soldados mortos e um resultado rentável para o governo norte-americano (senão eles não repetiriam as invasões com tanta freqüência, certo?).

Aliás, mais um país da América do Sul deve abrir os olhos: a Venezuela. Na mesma época em que os iraquianos preparam contratos bilionários para as multinacionais do petróleo, Hugo Chávez anuncia, de surpresa, a nacionalização da principal companhia de telecomunicações do país e da maior fornecedora de energia elétrica, ambas controladas pelos Estados Unidos. Também vai estatizar alguns dos principais projetos de exploração de petróleo e vai acabar com a autonomia do Banco Central da Venezuela. O resultado nós veremos nos próximos capítulos, mas podemos arriscar algumas previsões, com base na História: Hugo Chávez será deposto, ou assassinado (torcendo pela solução mais rápida e indolor), ou, na pior das hipóteses, veremos uma nova invasão dos americanos do norte, desta vez causando a morte dos nossos vizinhos do sul.

Fonte: www.tamoscomraiva.blogger.com.br (meu blog)

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