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Enviado por Miguel DÁvila (não verificado(a)) em 5. fevereiro 2009 - 18:17
Resposta ao debate: 
Dia da Consciência Negra: o que falta para superar o preconceito?

Silenciar é permitir! O racismo precisa ser denunciado e confrontado. Silenciar sobre isso é igual a consentir e estimular essa perversidade desumana. Não se pode também aceitar que manifestações de racismo sejam ocultadas com desinformações, imposturas e subterfúgios, dissimulações enganosas.

Há bem pouco tempo atrás, antes da Lei que criminaliza o racismo, tinha-se pessoas negras e mulatas vítimas de agressões com atitudes, termos, expressões, jargões e piadas ofensivas, onde passassem ou aonde estivessem. Houvesse alguma discussão, situação de hierarquia, ou mesmo oportunidade gratuita, e pessoas negras e mulatas ouviam certas expressões injuriosas e infamantes. Acusar caluniosamente pessoas negras e mulatas era normal, e com direito a arvorar-se em razão sem culpa.

Crianças negras e mulatas eram vilipendiadas nas ruas e escolas. Ambiente de trabalho era comum ser hostil e opressivo a pessoas negras ou mulatas. Nas cidades a maioria das pessoas negras ou mulatas que não vivessem em guetos na periferia, eram repelidas pela vizinhança com um clima de espezinhamento e animosidade. Favelas que estivessem próximas ou junto a bairros urbanos sofriam operações de limpeza étnica divulgadas como de combate à marginalidade e criminalidade.

Nazistas e nazistóides espalhavam pelas ruas papeizinhos com injúrias, infamações e ameaças a pessoas negras. Brancos em grupo estando em maior número provocavam situações para agressões verbais ou físicas a negros e mulatos. Até para o enterro de mortos, em cemitérios, havia racismo. A imensa maioria dos negros e mulatos de hoje são netos e filhos de negros e mulatos que não puderam deixar como herança nada além daquilo que seus ancestrais lhes legaram, isto é, a miséria, atraso e exclusão social.

Ainda vemos, hoje, em muitos países pessoas negras e mulatas alvejadas com operações que ocultam limpeza étnica e mecanismos de branqueamento, por trás de ações de repressões, incriminações, prisões; de promoção de preconceitos, estereótipos, estigmatizações e labéus através da mídia; de preterimento ou desatendimento no sistema de saúde; de rebaixamento no mercado de trabalho ou maior incidência de desemprego; de descaso do poder público a locais com significativa, ou mesmo relativa, presença de negros e mulatos.

Entre a prole de pessoas negras ou mulatas boa parte das crianças e adolescentes tem pais impossibilitados de lhes atender as mínimas necessidades básicas, e menos ainda de moradia, saúde, educação e lazer. Boa parte das pessoas negras se quer tem como se fazerem presentes junto a seus filhos(as), e menos ainda tem onde e com quem deixá-los acompanhados e cuidados. Isso agravado pela falta de vontade política, e interesses vis opostos, para transformar o ensino público de 1º e 2º Graus para período integral (manhã e tarde) obrigatório. Boa parte das pessoas negras e mulatas vivem em condições desumanas, devido à miséria e exclusão a que são compelidas. Boa parte da sociedade está condicionada para ver em negros e mulatos potenciais criminosos. Negros e mulatos são tratados como suspeitos em inúmeras situações, isso quando não são incriminados, ou não são vítimas de atos ao estilo de rejeição ou prevenção social.

Vemos nas entrelinhas da imprensa internacional, nos dias de hoje, uma explosão de subterfúgios que mascaram práticas de racismo, ou outras discriminações, barbáries ou brutalidades, com falsas ideações de, por exemplo, combate ao crime ou ao terrorismo. Em certos lugares em diferentes países, pessoas negras e mulatas são mortas e presas como se fossem “caça” com abate liberado, divulgadas como bandidas. Protestos de favelados são divulgados como atos de grupos de vândalos ou sectários de organização criminosa. Não falta também o absurdo do tratamento dado às vítimas anunciadas como de “balas perdidas”, como se isso fosse obra de um acaso sem culpa de ninguém. Assassinatos, execuções e chacinas têm investigação ineficiente e ampla margem de impunidade. Milicianos apoderam-se de localidades. Essas ocorrências sempre são maiores em localidades com maior presença de população negra ou mulata, e essa população sempre é a mais vitimada.

Há um clima mundial de que encobrindo a verdade com divulgações maquiadas, tudo é possível, em que política tornou-se a arte do impossível através da mentira. Note-se que as vozes que propõem calar sobre o racismo, são em geral as mesmas que se opõem a políticas afirmativas governamentais em favor de pessoas negras e mulatas. Silenciar diante da discriminação racial, ou qualquer outra forma de indiferença, omissão ou negação, é o mesmo que alimentar essa maldição. Diante de presença de racismo fingir que não se reconhece suas manifestações e efeitos é o mesmo, em comparação para exemplificar, que pretender abafar, ignorar, minimizar ou desconsiderar ocorrências de estupro ou abuso sexual.

O resultado é, diante da ausência de um repúdio e repressão, o violentador sexual assoberbar-se e estimular-se em superioridade, júbilo, tripúdio e reincidências, tendo suas vítimas como inferiores, desonradas e desprezíveis. Chega-se mesmo a mentecaptos intimamente julgarem-se fazendo “serviço” que outros não dizem que querem, mas esperam deles. Para esses psicopatas suas vítimas são coisas que não prestam e precisam ser afrontadas ou enquadradas. É incrível essa inversão de reações e valores, mas sabe-se que em determinadas condições é assim que se têm esse tipo de situações.

Assim, não se pode aceitar que discursos preguem maneiras de fechar os olhos ou de mordaças, em que se queira como ideal não falar sobre racismo, quando a realidade o expõe explicitamente. Basta ver-se as estatísticas de mais pobres, desempregados, menores salários, menor e pior formação escolar, más condições de habitação, mortes violentas, presidiários... Não é verdade que fingindo que não acontece, fazendo de conta que não existe, se estará reduzindo esse crime hediondo que é a discriminação racial. Racismo tem que ser denunciado e combatido onde quer que haja qualquer das suas formas de ocorrência, e não importa quem sejam os racistas, e responsáveis diretos e indiretos ou coniventes por essa ignomínia.

Este artigo correlaciona-se com o artigo “Racismo é sempre racial!”. Veja em: http://www.jornaldedebates.ig.com.br/debate/dia-consciencia-negra-que-fa...

Resumo: 

Silenciar é permitir! O racismo precisa ser denunciado e confrontado. Silenciar sobre isso é igual a consentir e estimular essa perversidade desumana. Não se pode também aceitar que manifestações de racismo sejam ocultadas com desinformações, imposturas e subterfúgios, dissimulações enganosas.

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  • racismo
  • sociologia
  • Denunciar isto

Comentários

#1 Imposturas e ataque pessoal!

Enviado por Miguel DÁvila (não verificado(a)) em 6. fevereiro 2009 - 11:52.

Vide comentário meu ao despropositado artigo “Seu artigo é racista, Miguel D'Ávila - Enviado por Marcos A Rondineli em 6. fevereiro 2009 - 1:22”, na URL: http://www.jornaldedebates.ig.com.br/comment/reply/13017/10942

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