Violência: sintoma
Comecemos pelo óbvio: o trânsito está inserido na sociedade, portanto, faz parte dela, inclusive nos seus sintomas; portanto, a violência no trânsito é apenas um sintoma (como uma febre ou algo pior) da sociedade (doente?). Poderíamos pretender que essa relação não ocorresse?
Ora, todos os dias concorremos (ferozmente?) em nosso capitalismo; como não competirmos (ferozmente) no trânsito e, pelo contrário, comportar-nos como bons cidadãos se, em geral, não o somos - sendo apenas participantes do jogo capitalista?
Como seremos capazes de aturar que alguém violente nossa pretensão e passe um segundo à nossa frente? Como aceitar que outros tenham carrões novos e potentes que não temos? Como aceitar qualquer subjugação no trânsito, como no caso dos engarrafamentos?
Como seríamos capazes, pelo contrário, de proceder simplesmente de maneira que esse trânsito flua o melhor possível - dirigirmos defensivamente, e dando passagem a pedestres e carros, espontaneamente? Como, se somos ferras armadas para a agressão diária pela manutenção de nossas vidas - se, pelo menos assim tantas vezes encaramos a vida?
Não há solução sem entendimento geral de nossa sociedade por todos nós. Todos problemas estão relacionados, como se pode citar, nesse caso, a utilização de carros muito poluidores.
Somente há um homem, somente há uma sociedade. Os sintomas crescentemente complexos somente serão melhor equacionados quando a humanidade conseguir melhor equacionar-se. "(...) o homem é uma coisa que precisa ser superada (...)" Nietzsche.

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