Linchador frustrado, Mino Carta vomita sua bile na esquerda e em Lula
"Eu assisti de camarote
O teu fracasso,
Palhaço, palhaço
(...) No livro de registro desta vida
Numa página perdida o teu nome há de ficar
Registram-se os fracassos, esquecem-se os palhaços
E o mundo continua a gargalhar"
(Benedito Lacerda/Herivelto Martins)
Nos círculos do poder, não há a mais remota dúvida de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmará a decisão que o Governo brasileiro tomou há 13 meses, de garantir ao perseguido político italiano Cesare Battisti o direito de residir e trabalhar em paz no nosso país.
Eliane Cantanhêde já revelou (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1601201018.htm) que as gestões italianas atualmente são apenas no sentido de que Lula doure a pílula, alegando razões humanitárias para sua decisão; e que o desfecho do caso não ocorra nos períodos imediatamente anterior e posterior à visita do premiê Silvio Berlusconi ao Brasil, para poupar-lhe constrangimentos.
Este quadro motivou nova diatribe de Mino Carta, "Onde está a esquerda?" (http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=5978): trata-se de mera retaliação pela derrota humilhante que está em vias de sofrer, como o principal linchador de Battisti na imprensa brasileira.
Mino escreveu dezenas de artigos para pressionar nossas autoridades a passarem por cima das tradições humanitárias brasileiras e das consistentes dúvidas a respeito da lisura do processo em que Battisti foi condenado sem ter podido exercer seu direito de defesa, graças a uma fraude hoje totalmente desmascarada, envolvendo falsificação de procurações, conluio de defensores com acusadores e conivência da Justiça italiana.
Para que servem agora esses artigos, editoriais e notícias editorializadas?
Só para uma coisa: são a pior nódoa nas muitas décadas de carreira de Mino Carta. Ele vai ser sempre lembrado como o jornalista que tentou impor aos brasileiros a capitulação diante das mais descabidas pressões e dos mais arrogantes ultimatos italianos.
Afora os textos que assinou, outros atribuídos à Redação da CartaCapital têm conteúdo e forma idênticos aos seus. E o ex-juiz Walter Maierovitch, colunista fixo que faz as vezes de fiel escudeiro do Mino Carta, também contribuiu assiduamente com o lobby para o linchamento de Battisti, produzindo dezenas de peças tendenciosas e rancorosas.
No início de 2009, a CartaCapital certamente bateu um duvidoso recorde na imprensa brasileira, como a revista de circulação nacional que por mais semanas consecutivas abordou um único assunto, e sempre com o mesmo viés (linchador).
O "outro lado" e o "direito de resposta" simplesmente deixaram de existir para esse veículo, que se comportou como mero house organ da "Fabbrica Italiana di Buffonatas" (http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/12/o-fiasco-natalino-da-fabb...).
Nem os leitores aguentavam mais este samba de uma nota só, tanto que passaram a contestar veementemente não só a fixação obsessiva de Mino no tema, quanto a posição por ele adotada.
Pateticamente, ele reagiu retirando-se do seu próprio blogue, o que não impediu o público da revista de continuar manifestando sua discordância nos comentários das notícias e editoriais sobre o Caso Battisti, os quais continuaram sendo sistematicamente expelidos (é o termo apropriado...).
Agora, confrontado com a inutilidade de sua caça à bruxa, o grande inquisidor se vinga retoricamente dos que impediram-no de acender a fogueira:
"...José Eduardo Cardozo, fervoroso defensor da permanência de Battisti no Brasil e titular de um currículo em que figuram contatos importantes, quem sabe decisivos, com Daniel Dantas, o banqueiro do Opportunity. Dele Cardozo foi advogado, soldado a mais de um exército infindo, antes de se eleger em 2002..." [Ser advogado de alguém nunca constituiu crime ou opróbrio. Mino semeia suspeitas porque não tem acusações para apresentar.]
"A revista Veja acabava de publicar um dossiê que dizia ter-lhe sido entregue por Dantas, a revelar contas de um pessoal graúdo, a começar pelo presidente Lula, em paraísos fiscais. Mais um episódio para enrubescer o arco-da-velha e que em outro país provocaria, no mínimo, investigações profundas e algumas prisões." [Depois de tanto criticar a revista que já dirigiu, Mino Carta recorre a suas antigas acusações para atingir Lula, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos e o deputado Cardozo.]
"Um ministro de Estado soletrou nos ouvidos de CartaCapital: 'É que o PT tem medo de Dantas'." [É simplesmente grotesco Mino lastrear acusação tão grave numa fonte incógnita. O despeito o faz esquecer o bê-a-bá do jornalismo.]
"Ah, sim, a famosa esquerda... Sempre pergunto aos meus perplexos botões qual teria sido a razão que moveu o ministro Genro ao decidir-se pelo refúgio a Battisti. Há quem diga, nos próprios corredores de diversos ministérios, que foi para agradar à esquerda na perspectiva da eleição gaúcha. [Novamente insinua o que não tem evidências nem coragem para afirmar, evitando assumir responsabilidades legais.]
"...de que esquerda se trata? Daquela que descobriu os prazeres da vida e decidiu apostar no poder pelo poder? Ou daquela que virou tucana, ou seja, herdeira do udenismo velho de guerra?" [Noves fora, resta nada. Já que Battisti vai ser libertado, ninguém mais presta, todos chafurdam na podridão. O linchador está à beira de um ataque de nervos.]
"Resta o fato de que esta tal de esquerda parece não ter entendido a diferença entre quem luta contra a ditadura e quem contra um Estado Democrático de Direito. Atingimos, assim, a encruzilhada: de um lado a ignorância, do outro a hipocrisia. De um lado o QI baixo, do outro a desfaçatez. De um lado a parvoíce, do outro a cega, granítica, eterna confiança na credulidade alheia." [Retórica embolorada e oportunística à parte, Mino parece esquecer a desmoralização que Berlusconi granjeou para o tal "Estado Democrático de Direito", começando pelas leis casuísticas -- vide http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2010/02/berlusconi-vem-ai.html -- que Executivo e Legislativo têm introduzido/tentam introduzir para evitar que o premiê receba a justa punição por seus numerosos delitos.]

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