Onomatopéia, catacrese, trovão e Abraão.
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Onomatopéia e catacrese, à primeira vista, soam como duas excrescências fonéticas, duas palavras esdrúxulas e sem sentido. Poucos se dão conta da importância destas figuras de linguagem em nossa vida, na formação de valores usados a todo instante. Ferramentas básicas de comunicação e expressão, produziram conceitos que acarretaram grandes conseqüências para a humanidade. Exemplo típico é a figura de Abraão, originada primariamente por uma onomatopéia e que, com o passar do tempo, por catacrese, se materializou em patriarca bíblico.
No inicio do processo da comunicação falada o Homem mesclava, à mímica, sons imitando ruídos característicos daquilo a que se referia. Aos poucos, adotou-se estes sons (onomatopéia), preterindo-se a mímica. Tal avanço técnico se deu ainda no tempo das cavernas, quando os temores ao fenômeno trino do Raio, Relâmpago e Trovão, encontraram sua melhor forma de descrição fonética em "Braamm" ou "Bramam!" (onomatopéia do Sânscrito, equivalente à nossa"Trovão").
Na elaboração religiosa primitiva, "Bramam" assumiu a condição de entidade divina e, por analogia (catacrese): imaterial, trina e celestial. Depois, como raio, fecundou uma virgem e tornou-se homem, sob a forma de Brama, do qual pretendia descender a casta sacerdotal dos brâmanes (<?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" />2.500 AC). Através dos séculos, com o crescimento e a expansão populacional indiana, grandes contingentes humanos foram se deslocando para o ocidente, originando povos, linguagens e crenças derivados. Um destes povos são os caldeus, de cuja linguagem (derivada do sânscrito) surgem diversas variáveis como o árabe, o aramaico, o armênio etc., caracterizadas pelo prefixo "al", precursor dos artigos definidos das línguas ocidentais.- Na distante Suméria, separada dos sopés do Himalaia por grandes extensões de desertos, a trindade das intempéries perde a essência de divindade celestial para a poesia do céu, com hegemonia do Sol. Prevalece, porém, a forma humanizada de Brama (Al Brama), identificada na figura mitificada do patriarca, condutor da horda migrante.
Os hebreus, descendentes de leva migratória procedente da Caldéia, peregrinaram outros tantos quilômetros até se fixarem, definitivamente, na Palestina, séculos depois. Gerações sucessivas transmitiram, por tradição verbal, a lenda de Al Brama/Al Bramam, através da qual conseguiram preservar sua identidade religiosa e cultural; acreditando-se seletos e superiores aos demais povos, por dele descenderem. Neste processo, Al Brama se metamorfoseia no patriarca Abraão, cuja esposa era Sara. A esposa da divindade do bramanismo indu (Brama) chamava-se Saravisi que, em sânscrito, não por acaso, quer dizer exatamente Senhora Sara.
Assim uma onomatopéia, relacionada à trindade do fenômeno meteorológico natural (relâmpago, raio e trovão), se transformou, por processo de catacrese, numa divindade mitológica indiana (Bramam/Brama) e, sucessivamente, num patriarca bíblico-islâmico (Abraão) cujo túmulo até existe e fica na divisa de Israel e Líbano. Ao logo da História, o desconhecimento da etimologia desta onomato-catacrese gerou interpretações religiosas, rendeu muitas fogueiras, cruzadas, guerras e promete render ainda mais violência, ao sabor da ignorância, da fé e de outros interesses afins.

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