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Mudou a noção de terrorista: BIn Laden é um engenheiro frustrado que ama Whitney Houston

Enviado por glaucia.freitas (não verificado(a)) em 16. setembro 2006 - 21:00
Resposta ao debate: 
O 11 de setembro mudou o mundo?

Por Glaucia Freitas, especial para o Jornal de Debates<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />
O 11 de setembro de 2001 trouxe debates acerca de que o terrorismo seria um "choque de civilizações" e não o é. Não vejo civilidade alguma em genocídios e atos terroristas.
O terrorismo, em sua gênese é um choque individual, que ocorre na mente do indivíduo que não tolera o "diferente" ou aquele que se posiciona contra as suas convicções. Esse comportamento pode estar perfeitamente cercado de inúmeras intolerâncias: à religião, à posição política, à etnia,em disputa por  territórios, pela negação de uma história-comum entre povos em nome de uma supremacia,etc.O indivíduo então busca outros correligionários e o grupo começa a ganhar identidade, recursos ,bandeira, propaganda e difusores de células armadas e  planejamento de ataques.
O terrorismo é variado conforme a época e região ,distingue-se  em partes de organizações criminosas, mas ambos estão separados por uma particularidade que é marca do primeiro: a ideologia fanático-religiosa.
Li recentemente vários comentários sobre a tragédia das Torres Gêmeas, um deles era bem insustentável e lacônico o qual um sujeito dizia  ter "medo dos pacifistas" -  e dos terroristas, ninguém tem? Ninguém tem medo de ser atacado ao viajar de avião para a Europa ou EUA ,dentro do trem ou no seu ambiente de trabalho por um motivo banal,   um inimigo não-identificado que mata e brada : " Allah Akbar! " (Deus é grande)?
Longe de clichês: somos felizes pois estamos no Brasil, sem guerras e ataques.Façamos então uma analogia bem simplista do terrorismo islâmico com as últimas ações do  PCC. Melhorou a concepção sobre o perigo que vem nos pegar de surpresa? O terrorismo tem vertentes e  usa máscaras e contextos histórico-sociais diferentes.
O terrorismo não conhece fronteiras, brincar com o poder de "deixar viver ou morrer" alimenta o terrorismo.
Bin Laden estudou nos EUA, seu pai fez fortuna com Bush e depois de obter êxito financeiro com a construção civil e outros negócios, destrói milhares de vidas nos EUA. Onde está a civilidade?
Quando um terrorista  tira proveito do capitalismo, da tecnologia e da política ocidental fica feliz,mas  quando  não consegue mais as benesses tenta destruí-lo, chama o outro de"inimigo" e convoca pessoas  para serem suicidas dentro de uma lógica insana.Com qual direito?
Os interesses de Bin Laden  foram compulsivos e destrutivos. O problema dos terroristas é um complexo de inferioridade que tenta usar alvos para derramar suas frustrações.O interessante é que eles têm um fascínio velado pelo ocidente, mas o fanatismo os enclausuram nas trevas e para se "tornarem puros de alma" após sonharem com corpos esculturais nas praias de Miami ou Ibiza, precisam estar em uma constante luta, o que eu classifico como "Jihad pessoal".
Esta luta interna e pessoal, trespassa a fronteira da alma  e da razão. O "demônio" só é expulso do corpo com a execução da "Jihad coletiva", que demoniza e culpabiliza aos outros,um decreto de morte para pessoas inocentes ou que são contra esta forma de domínio.
O terrorismo como uma questão de literalidade
Quem conhece o Islamismo de forma sã e coerente sabe que  Jihad não é na realidade o que os grupos  terroristas pregam e praticam,  a loucura viculada à uma estreiteza literal pedem emprestados termos a fim de obter mais adeptos,como os 19 terroristas de 11 de setembro.Indivíduos como estes  são geralmente  carentes de fé e força pessoal.Quando se prepara um terrorista para um ataque, ele pode reler as escrituras sagradas tanto para firmar a sua decisão de atacar como de justificar a sua desistência.
A desistência de praticar um atentado é rara e encarada como  um tabu, esses fracos precisam morrer sob uma suposta glória, como mártires a fim compensar a vida ascética e repressora que algumas linhas islâmicas promovem.

Jihad é um dos pilares do Islamismo e só deve ser usada em caso de ameaça real, cercada  preceitos éticos e significa literalmente "esforçar-se".
No Islamismo, este esforço pode ser individual ou coletivo, a fim de conduzir seus praticantes a uma vida mais virtuosa; ajudando a outros muçulmanos , prática da caridade, a instrução, e lutando para defender muçulmanos.Defender não significa atacar primeiro.
Jihad é a dita "Guerra Santa", mas o terrorismo tira a noção islâmica de "santidade" como instância primordial e divina no ato de  preservação da vida.

 Bin Laden e a cultura pop americana
A biógrafa de Bin Laden - a sudanesa  Kola Boof -  lancará um livro em breve, e destacou em uma prévia um fato surpreendente :ele teria dito que pensou em matar o marido de Whitney Houston.
O terrorista disse achar a cantora norte-americana a mulher mais linda do mundo - e embora ele não goste da música ocidental - sente muita atração por Whitney, e por isso chegou a planejar matar o marido.Os brutos também amam, mas não são civilizados.

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